sozinho com todo mundo

a carne cobre os ossos
e colocam uma mente
ali dentro e
algumas vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homem bebem
demais
e ninguém encontra o
par ideal
mas seguem na
procura
rastejando para dentro e para fora
dos leitos.
a carne cobre
os ossos e a
carne busca
muito mais do que mera
carne.

de fato, não há qualquer
chance:
estamos todos presos
a um destino
singular.

ninguém nunca encontra
o par ideal.

as lixeiras da cidade se completam
os ferros-velhos se completam
os hospícios se completam
as sepulturas se completam

nada mais
se completa.

Charles Bukowski; in O amor é um cão dos diabos

— há Há 11 horas com 35 notas
#Charles Bukowski  #Bukowski  #poema  #poesia 

VIDA

mais um dia

menos um dia

continuo

enquanto houver

poesia


Geraldo de Barros

(Fonte: sobreoindizivel)

— há Há 2 dias com 33 notas
#Geraldo de Barros  #poesia 

Mario Quintana Por Nanda Corrêa

Mario Quintana 
Por Nanda Corrêa

(Fonte: eu-sem-poesia)

— há Há 2 dias com 64 notas
#Mario Quintana  #quintana  #poesia  #arte  #vida 
"

Sofrer é outro nome
do ato de viver.
Não há literatura
que dome a onça escura.

Amar, nome-programa
de muito procurar.
Mas quem afirma que eu
sei o reflexo meu?

Rir, astúcia do rosto
na ameaça de sentir.
Jamais se soube ao certo
o que oculta um deserto.

Esquecer, outro nome
de ofício de perder.
Uma inútil lanterna
jaz em cada caverna.

Verbos outros imperam
em momentos acerbos.
Mas para que nomeá-los,
imperfeitos gargalos?

"
Verbos - Carlos Drummond de Andrade

(Fonte: livroslivroslivros)

— há Há 2 dias com 8 notas
#Carlos Drummond de Andrade  #drummond  #poesia  #farewell 
"Nossos donos temporais ainda não devassaram
o claro estoque de manhãs
que cada um traz no sangue, no vento."

Carlos Drummond de Andrade, fragmento de ‘Contemplação no Banco’; in Claro Enigma

— há Há 2 dias com 17 notas
#Carlos Drummond de Andrade  #drummond  #poesia  #Literatura brasileira 

gosto do dito

não dito

espaço entre

palavras

onde a língua

arrisca

e

salta

de tudo que digo

sou quase

Geraldo de Barros

(Fonte: sobreoindizivel)

— há Há 2 dias com 53 notas
#Geraldo de Barros  #poesia 
"É muito raro encontrar almas livres, mas logo se vê quando são."
Charles Bukowski; in Fabulário geral do delírio cotidiano - Parte II
— há Há 2 dias com 31 notas
#Charles Bukowski  #trecho de livro 
"Poder rir, rir, rir despejadamente,
Rir como um copo entornado,
Absolutamente doido só por sentir,
Absolutamente roto por me roçar contra as coisas,
Ferido na boca por morder coisas,
Com as unhas em sangue por me agarrar a coisas,
E depois dêem-me a cela que quiserem que eu me lembrarei da vida."
Fernando Pessoa; in Poesia Completa de Álvaro de Campos.
— há Há 2 dias com 72 notas
#Fernando Pessoa  #poesia  #Álvaro de Campos 
Perguntas em forma de cavalo-marinho

Que metro serve

para medir-nos?

Que forma é nossa

e que conteúdo?

Contemos algo?

Somos contidos?

Dão-nos um nome?

Estamos vivos?

A que aspiramos?

Que possuímos?

Que relembramos?

Onde jazemos?

(Nunca se finda

nem se criara.

Mistério é o tempo

inigualável.)

Carlos Drummond de Andrade; in Claro Enigma

— há Há 2 dias com 8 notas
#Carlos Drummond de Andrade  #poesia  #Literatura brasileira 
"sumiê de fios, de folhas, sem tinta e sem pincel, onde o espaço faz papel de papel, o fio faz o efeito da escrita, os livros, fios em branco, são lidos pelo avesso, de lado, de vulto, de soslaio, os fios das folhas em ritmo, ora gráfico, ora elétrico, escrevem rimas ricas, linhas em todas as direções devolvem, resolvem nosso emaranhado enquanto flutua a dura madeira, nua carne, árvore madura suspensa, susto que pensa, pressente, arrepio de pêlos que nascem, atravessam, passam, morrem no pálido da pele onde ainda persiste um nada que se move na força dos fios e revela sua leveza e eleva o peso do espaço com todas as palavras não ditas."
Alice Ruiz; “sem palavras”
— há Há 3 dias com 13 notas
#alice ruiz  #poesia 

(…) A poesia voltará de novo ao meu coração

Como a chuva caindo na terra queimada.

Como o sol clareando a tristeza das cidades,

Das ruas, dos quintais, dos tristes e dos doentes.

A poesia voltará de novo, única solução para mim,

Única solução para o peso dos meus desenganos,

Depois de todas as soluções terem falhado:

O amor, os seguros, a água, a borracha.

A poesia voltará de novo, consoladora e boa,

Com uma frescura de mãos santas de virgem,

Com uma bondade de heroísmos terríveis,

Com uma violência de convicções inabaláveis.

Verei fugir todas as minhas amargas queixas de repente.

Tudo me parecerá de novo exato, sólido, reto.

A poesia restabelecerá em mim o equilíbrio perdido.

A poesia cairá em mim como um raio.

Manuel Bandeira; in Estrela da Vida Inteira

— há Há 3 dias com 31 notas
#Manuel Bandeira  #Estrela da Vida Inteira  #poesia  #Literatura brasileira 
Angra do Reis - Renato Russo/Legião Urbana

Angra do Reis - Renato Russo/Legião Urbana

(Fonte: soberxx)

— há Há 4 dias com 122 notas
#legião urbana  #Renato Russo